Alarmados pelo lançamento do MBL Estudantil, membros da chapa que hoje comanda a União dos Estudantes do Brasil emitiram vários comunicados atacando o movimento liberal e utilizando como blefe a história da instituição. O que não contaram é que estão todos recolhidos em suas sarjetas com medo. Aliás, não foi necessário – o recibo que a UNE passou ao saber do lançamento do braço estudantil do MBL falou mais do que qualquer comunicado.

É verdade que a UNE tem história. Também é verdade que a instituição sempre se vergou aos interesses mais mesquinhos de partidos de extrema-esquerda. E que nesta entidade financiada com recursos públicos, apenas os extremistas de esquerda tem voz e voto.

Estas características da UNE sempre fizeram com que a entidade fosse associada as esquerdas, da mesma forma com que ocorre com a OAB. Não se vê ali uma entidade de classe lutando pela educação, já que as sucessivas gestões de esquerda transformaram a instituição em mero aparelho do Partido Comunista do Brasil. O jogo de cartas marcadas que leva o mesmo grupo a revezar seus lacaios no poder é o maior impedimento para que se opere o devido saneamento naquela casa.

Todos podem participar das eleições? Em tese sim. Porém as eleições são feitas por delegados que representam as unidades da federação. Estes delegados por sua vez são oriundos de chapas internas ligadas ao PCdoB de seus estados. O mecanismo sempre favorece os comunistas desde a base. Ao fim e ao cabo, não há chance para novos concorrentes.

É bom deixar claro que esta entidade se rege por normas tão arcaicas quanto a Confederação Brasileira de Futebol. A sorte é que ao contrário da CBF, os comandantes da organização sempre contaram com o beneplácito de políticos, autoridades e imprensa para se safarem de atos praticados no submundo da instituição. Um dos atos mais escandalosos praticados pela entidade foi quanto articularam com o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia para que este, se eleito, enterrasse a CPI da UNE. A moeda de troca seria o apoio dos comunistas a candidatura do “Botafogo”. Maia venceu, e mesmo depois de ter negado a imprensa que iria favorecer a UNE, acabou enterrando a CPI que traria luz aos ilícitos praticados na instituição.

Maia garantiu o alívio da então presidente Carina Vitral, que mais tarde seria humilhada nas urnas em sua tentativa em se eleger deputada estadual por São Paulo. Mas não foi a primeira vez que aquela gestão tinha problemas com comissões parlamentares de inquérito. Antes de Maia, quem favoreceu a UNE foi o ínclito Waldir Maranhão. Outrora acusado de ser agente de Eduardo Cunha, Maranhão também impediu que a UNE fosse investigada pelo Congresso. Enquanto os comunistas se valiam do submundo da política para se safarem da justiça, seus dirigentes e apoiadores gritavam em plenos pulmões que “a UNE era vítima de perseguição”, e que os favoráveis a investigação queriam “calar os estudantes”.

Esta história pregressa da UNE explica o medo de seus dirigentes e o desespero dos estudantes profissionais. Aquele espaço não é representativo, é aparelhado por um partido e funciona como quinta coluna de golpistas. Portanto não é possível dizer que a UNE represente os estudantes de forma legítima. O que o MBL fez ao projetar sua militância no meio estudantil foi esvaziar a UNE e retirar dela a legitimidade da representação dos universitários brasileiros. Na verdade o MBL Estudantil apenas decretou algo que já era vigente no imaginário nacional: a UNE não passa de mero esbirro das esquerdas radicais.

Ora, de nada adianta agora a UNE convidar o MBL Estudantil a formar uma chapa para disputar as eleições naquele espaço. Uma entidade que não serve aos propósitos de quem diz representar é simplesmente imoral, seria até covardia o MBL participar de uma eleição sabendo que iria apenas validar a narrativa de charlatões do PCdoB. Que a iniciativa estudantil se consolide no debate público e que se construam outras alternativas de representação para universitários e secundaristas, e que a UNE e a UBES se desmantelem por inanição. Agora que não possuem mais os convênios petistas e que seus recursos sofrerão considerável corte por conta da assunção de Jair Messias Bolsonaro, que a instituição saia do cenário político brasileiro e se precipite na lata de lixo da história junto com seus ex-dirigentes como Lindbergh Farias, José Serra e a própria Carina Vitral.

Eric Balbinus
@ericbalbinus
Bacharel em Relações Internacionais, pós-graduando em Ciência Política pela FESPSP, conselheiro do MBL, assessor parlamentar, palpiteiro e o mais importante: corintiano.