Conversei com o professor Rodrigo Jungmann, da Universidade Federal de Pernambuco. Alvo de ataques e agressões morais no local de trabalho há mais de um ano, ele nos conta sobre a perseguição política promovida por extremistas de esquerda em ambiente universitário. Figura presente em eventos distintos que provocaram intenso debate no noticiário como a guerra campal por conta da exibição do documentário “O Jardim das Aflições”, Jungmann tem pagado o preço de ousar nadar contra a corrente. Leia a entrevista abaixo:

Professor, há anos que vemos notícias sobre a perseguição política que o senhor sofre na Universidade Federal de Pernambuco. Quando isso começou?

[Rodrigo] Tudo começou em maio de 2016. À época, alguns alunos conservadores me procuraram para sugerir que eu encampasse a realização de um evento crítico ao Marxismo Cultural. Reservei a sala, fiz uma breve introdução à matéria e passei a palavra aos alunos. Pouco depois de um dos palestrantes tecer críticas à feminista radical Shulamith Firestone, a sala foi invadida por uma docente de antropologia, ladeada por um séquito de militantes esquerdistas, que negou a “legitimidade” do evento e deixou claro que não admitiria “calúnias” ao feminismo, como se feminismo fosse pessoa física e polo passivo viável de crimes contra a honra e como se houvesse algo sacrossanto a ponto de ser incriticável. Várias outras demonstrações de intolerância se deram desde então, culminando com uma recente ameaça de morte e passando pela depredação do meio gabinete de trabalho em dezembro de 2016.

Durante este tempo você certamente procurou a administração da instituição. Eles chegaram a dar algum suporte a você?

[Rodrigo] Sim, eu enviei ao reitor ampla documentação probatória. Não obtive resposta nem qualquer expressão de solidariedade.

Você também foi um dos alvos do autoritarismo das esquerdas quando se tentou exibir o documentário “O Jardim das Aflições” na UFPE. A intimidação se deu apenas no dia ou você sofreu alguma retaliação posterior?

[Rodrigo] A violência física da esquerda naquela ocasião se deu apenas no dia da exibição. Comentários ofensivos a minha pessoa apareceram nas redes sociais nos dias imediatamente anteriores e posteriores.

Recentemente você também relatou ser vítima de assédio moral dentro da universidade. Pode nos explicar melhor?

[Rodrigo] Tenho sido retratado em cartazes infamantes. No último, fui chamado de “Pinguim da Privataria”. Aliás, também veio à luz uma matéria com este título no site do jornal do PCO. Ser chamado de “fascista” e “satanás” nos corredores da UFPE tem sido uma experiência recorrente.

Você recebeu algum apoio por parte do Sindicato ou de colegas docentes?

[Rodrigo] Não recebi qualquer apoio institucional. Recebi apoio moral de alguns colegas enquanto pessoas físicas. De outros, muito mais numerosos na universidade, colhi indiferença ou hostilidade.

Estes atos de perseguição envolvem professores e funcionários ou só alunos?

[Rodrigo] Que eu saiba, só alunos.

Como você descreveria o ambiente acadêmico brasileiro hoje? Você acredita que estes episódios de perseguição e violência se restringem a UFPE ou são uma constante?

[Rodrigo] Penso que são frequentes e corriqueiros em todo o Brasil. A esquerda simplesmente não admite perder a completa hegemonia de que vem desfrutando há décadas.

Você já pensou em tomar medidas legais contra a Universidade por permitir que este tipo de agressão se torne uma rotina?

[Rodrigo] Sem a menor dúvida. Muito especialmente depois da ameaça de morte por mim sofrida, posso assegurar que pedirei proteção da guarda universitária. Se não  me for concedida, certamente acionarei a justiça.

Do seu ponto de vista, há algo que o governo Jair Bolsonaro possa fazer para garantir a liberdade de expressão nas universidades brasileiras?

[Rodrigo] Espero que coíba qualquer manifestação de intolerância, venha de onde vier e que crie empecilhos à incessante doutrinação esquerdista. Admito que excessos de pessoas de direita também ocorrem de tempos em tempos. No meio universitário, contudo, tais abusos partem quase que exclusivamente da esquerda.

Eric Balbinus
@ericbalbinus
Bacharel em Relações Internacionais, pós-graduando em Ciência Política pela FESPSP, conselheiro do MBL, assessor parlamentar, palpiteiro e o mais importante: corintiano.