Roberto Stuckert Filho/Fotos Públicas

Ontem o governo cubano decidiu romper com o programa Mais Médicos. De forma unilateral a ditadura castrista anunciou o fim de sua participação no convênio estabelecido entre a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e o governo brasileiro que fornecia assistência médica a brasileiros carentes nos rincões e periferias.

Causou alarido. O que mais se viu nas redes sociais e manifestações na imprensa foi o “incalculável” retrocesso representado pela consequente dificuldade que os 63 milhões de brasileiros assistidos pelo Mais Médicos enfrentarão daqui em diante – já que boa parte dos profissionais era fornecido pelo regime. Atualmente o Brasil possuí cerca de 8 mil profissionais. O governo brasileiro desembolsa cerca de R$ 11 mil para cada profissional, mas o dinheiro não pertence a quem passou o mês inteiro na labuta: a Opas repassa aos cubanos cerca de R$ 3 mil, enviando a diferença para o governo dos irmãos Castro. Segundo matéria de hoje do UOL, a contratação de médicos cubanos já custou R$ 7,1 bilhões ao governo brasileiro.

É bom lembrar que aqui os cubanos não desfrutam de plena liberdade. Além de se submeterem ao papel de gado, ainda tem suas liberdades tolhidas a distância pela ditadura que os oprime. São frequentes os relatos de espionagem. Eles não podem circular livremente pelo território brasileiro, suas famílias são monitoradas de perto pelo governo cubano que não só impede que venham para junto dos profissionais como ainda convivem com a ameaça de retaliação contra os familiares caso pensem em desertar.

Diante deste cenário dantesco é quase impensável que alguém critique Bolsonaro por ter pensado em por fim a este estado de coisas. É bom lembrar que apesar do déficit de atendimento médico, o programa Mais Médicos teve como única finalidade jogar uma cortina de fumaça nos protestos de 2013. Acuada pelas Jornadas de Junho, Dilma e seus comparsas elaboraram um programa que desse a entender que o governo estava de fato preocupado com a qualidade dos serviços públicos. O Mais Médicos foi um remendo malfeito que jamais foi capaz de resolver o descalabro da saúde brasileira. No entanto serviu de maquiagem de defunto, dando argumento para as esquerdas de que havia a genuína preocupação com a promoção de políticas públicas. Aqui nem é preciso se estender: quem de fato está preocupado com políticas públicas as elabora com cuidado e pensando no longo prazo, sem jamais ceder a tentação maligna de falsear a realidade ou induzir a população ao erro com ilusionismos como este.

Ah, o tal ilusionismo atendia os interesses da ditadura cubana – que logo achou mais um caminho de assaltar o Estado brasileiro. Assim como outras parcerias, o Mais Médico foi muito mais lucrativo para os carniceiros caribenhos do que para o Estado brasileiro. A retórica estelionatária é a mesma que justificou os 957 milhões de dólares para o Porto de Mariel, aquela negociação criminosa que também favoreceu a Odebrecht e que foi classificada como um “golaço” pela ínclita jornalista Patrícia Campos Mello, autora da mais comentada obra de ficção de 2018 – a saga do caixa 2 do impulsionamento de fake news no Whatsapp patrocinado por Luciano Hang em favor de Bolsonaro ao custo de R$ 12 milhões. Quem defendeu o Porto de Mariel e outras obscenidades feitas com o erário público tinha na ponta da língua a justificativa: são políticas de Estado para o desenvolvimento social e econômico das duas regiões, medidas de caráter meramente pragmático que trarão benefícios a ambos governos. No fim os cubanos continuam miseráveis, enquanto o Brasil sobrevive ao governo petista respirando por aparelhos.

Impressiona o fato de que os críticos de Bolsonaro ignoraram completamente o fato de que ele não anunciou a intenção de acabar com o programa Mais Médicos ou mesmo ameaçou vetar a participação dos cubanos. Apenas propôs um aditamento no contrato que estabelecia três pontos bem razoáveis: repasse total dos R$ 11 mil aos médicos cubanos, que teriam que se submeter ao exame do Revalida. Ah, os profissionais deveriam ser contemplados com o direito de trazer suas famílias para o Brasil. Quem não foi razoável foi o governo cubano, que achou um desaforo ouvir falar em soberania brasileira depois de tantos anos de desmando na gestão de seus lacaios petistas. E que história é essa de dar direitos aos médicos? Onde já se viu?

Daí temos a esdrúxula constatação de que os que gritam contra o fascismo, autoritarismo e golpe, que se dizem defensores de primeira hora dos Direitos Humanos e trabalhistas agora se coloquem frontalmente contra a concessão, ou melhor, reconhecimento e extensão destes mesmos direitos aos cubanos que atuam no Mais Médicos. Para estes porcos estes conceitos pouco importam, servindo apenas como espantalhos retóricos para sua guerra suja. É hipocrisia que chama?

Eric Balbinus
@ericbalbinus
Bacharel em Relações Internacionais, pós-graduando em Ciência Política pela FESPSP, conselheiro do MBL, assessor parlamentar, palpiteiro e o mais importante: corintiano.