Ontem estava aqui no estúdio com meu amigo Cory ouvindo uns RAPs das antigas, foi quando eu lembrei de uma música do grupo chamado “União Racial”, de título “A Bússola”.

Ela é a faixa 13 da coletânea Espaço RAP Vol. 6, de 2002. A música inteira é muito boa e já começa com uma frase sobre a função do RAP: — O RAP nasceu por um motivo, pra ser contra o preconceito e também contra o racismo.

Mas a rima que eu quero destacar se encontra no 2:53 min da música: — A auto-estima exagerada de qualquer raça é maléfico pra banca e a vingança é acionada, a palavra do eterno é bem clara e basta, diferença de tratamento será condenada. Essa rima me inspirou a escrever essa reflexão.

Juntando as diferentes definições sobre o racismo, chegaremos a seguinte conclusão: o racismo é uma crença baseada no conceito de que existem diversas raças na espécie humana, no entanto esse conceito é falso. O que existe são diferentes variações de características no fenótipo que são meramente estéticas e independentes, não configurando outras raças mas apenas as características étnicas.

De uma forma resumida eu diria que o racismo é o ato, efeito ou ideia de separar seres humanos baseado no conceito falso de que existem diferentes raças.

Seguindo essa linha de raciocínio, ideias como “racismo inverso não existe” caem por terra, e intenções como “cotas baseadas em raça”, ou qualquer política voltada especificamente para uma determinada “raça”, podem e devem ser vistas como racismo.

A ideia de que todos os seres humanos são iguais e devem ser tratados de igual modo é a base mínima para qualquer luta em torno de igualdade.

Se escolhermos como estratégia de luta reafirmar diferenças ao invés de realçar pontos em comum, o problema da divisão se intensifica. Por isso acredito que o racismo só acaba na vida de um indivíduo quando chega a consciência de que ele é semelhante ao objeto do seu preconceito.

Feliz Dia da Consciência Humana pra todos!

Ricardo Mensageiro
@ricardomensageiro
Rapper do duo Mensageiros da Profecia.