Luciana Genro critica Maduro? Entenda a malandragem

SÃO PAULO – Após criticar a viagem de Gleisi Hoffmann à Venezuela, para prestigiar a posse de Maduro,

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 11 de janeiro de 2019 | 19h10
Por Renan Santos

SÃO PAULO – Após criticar a viagem de Gleisi Hoffmann à Venezuela, para prestigiar a posse de Maduro, a psolista Luciana Genro iniciou uma investida narrativa tentando separar seu partido das atrocidades cometidas pelo regime socialista.

Faz sentido: dentre os apoiadores da “nova esquerda”do PSOL incluem-se aquele tipo específico de burguês, adepto da vida boa, que não enxerga com bons olhos as externalidades da implementação da ditadura do proletariado. Sabe como é…não fica bem, entre um chopp e outro no Leblon, passar um pano pra assassinato de estudante como acontece nas plagas bolivarianas.

Ainda assim, parece que Luciana quer construir uma lógica um tanto quanto curiosa – e perversa – para justificar sua posição. Ainda que afirme que o regime de maduro degenerou-se, é contrária a toda e qualquer ação política externa à ditadura venezuelana. Mais: inclui aí no balaio o regime nicaraguense, sanguinário como de costume, decretando que seus cidadãos não devem ter ajuda externa.

Chega a ser cínico que Luciana exija que “os povos da Nicarágua e Venezuela se mobilizem” quando toda e qualquer mobilização política é rechaçada na bala. O que esta senhora está sugerindo? Guerra Civil? Nos parece que Luciana tenta obter o melhor de dois mundos em seu posicionamento: por um lado critica uma violência que lhe retira votos por aqui; por outro, mantém, na prática, os pressupostos para a manutenção das ditaduras em questão.

 

Sem ajuda externa, milhares de vidas perecerão de fome e bala nos regimes que “critica”. É um cinismo quase psicopático, similar ao dos trotskystas, que criticavam a ausência de democracia no regime stalinista enquanto lutavam para implementar outras ditaduras mundo afora.

Nessa confusão narrativa, aposte no básico: o PSOL se posiciona como o PT. E finge opor-se ao irmão mais velho. É assim com a “oposição de esquerda” de Jean Wyllys no congresso, é assim com a crítica aos “excessos” de Maduro na Venezuela. Discussão da porta pra fora, consenso da porta pra dentro.