Grande imprensa quer colocar culpa de suicídio de reitor da UFSC em delegada da Lava Jato

A grande imprensa perdeu de vez as estribeiras e atua agora para manchar a imagem de Erika

 20 de novembro de 2018 | 11h31
Por Rafael Rizzo

A grande imprensa perdeu de vez as estribeiras e atua agora para manchar a imagem de Erika Marena, ex-delegada da Lava Jato e escolhida por Sergio Moro para integrar a equipe de transição de governo.

Marena teve papel central na Operação Lava Jato, o que a fez ganhar projeção nacional e ser a mais votada em uma lista tríplice para chefiar a Polícia Federal, mas é outra Operação que a imprensa lembra quando cita ela: a Operação Ouvidos Moucos.

Era 2017, quando Erika Marena apurava supostos desvios na educação em Santa Catarina, o reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo teria sido acusado de ter obstruído as investigações, situação na qual a delegada Erika pediu sua prisão, autorizada pela juíza Juliana Cassol. O reitor se matou poucos dias depois, deixando um bilhete no qual acusava a operação da Polícia Federal pela sua morte.

Agora, com Erika Marena entrando para a equipe de transição do governo Bolsonaro, a imprensa não mede palavras para culpá-la pelo suicídio do reitor. A manchete do Jornal O GLOBO é “Delegada da Lava Jato e de operação que motivou suicídio de reitor auxilia Moro na transição”. No texto, o jornalista Eduardo Bresciani resume a carreira de Erika: “Érika atuou até 2016 na Lava-Jato, tendo sugerido o nome da operação, e também na polêmica Operação Ouvidos Moucos, que levou ao suicídio do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Carlos Cancellier.”

Já a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, foi um pouco mais leve e tuitou: “Erika Marena, a delegada que mandou prender Luiz Cancellier, reitor da Universidade Federal de SC, está na equipe de transição de Moro. Ele se suicidou em seguida. Nada foi provado até agora contra ele.”

O que a imprensa quer com manchetes como essas? A resposta é óbvia: tentar descredibilizar a delegada por algo que fugia de seu controle. Ora, se o reitor se suicidou não foi pela atuação de Marena e sim por problemas que cabem somente a esfera pessoal do falecido e de sua família. A especulação midiática que tenta manipular a opinião pública para culpar Marena por um suicídio é desonesta e desrespeitosa, não apenas com a delegada mas também com os familiares do reitor.