Cuba abandona Mais Médicos após exigências de Bolsonaro

Cuba acaba de anunciar que não mais participará do programa Mais Médicos. O motivo alegado é a

 14 de novembro de 2018 | 13h19
Por Rafael Rizzo

Cuba acaba de anunciar que não mais participará do programa Mais Médicos. O motivo alegado é a eleição de Bolsonaro e as condições impostas por ele para os profissionais. Em nota, o governo cubano disse:

“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, desrespeitosas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Panamericana de Saúde e ao acordado por esta com Cuba. Portanto, diante desta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando no Programa Mais Médicos e assim o comunicou à diretora da Opas e aos líderes brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.”

O presidente eleito Jair Bolsonaro foi ao Twitter falar sobre o caso: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.”

Com a decisão, cerca de 11 mil médicos cubanos devem retornar ao país de origem.

O Programa Mais Médicos foi criado em 2013 e recebe críticas desde então pela forma que trata os profissionais cubanos, recebendo acusações, inclusive, de trabalho escravo. Médicos cubanos ficam com menos da metade do salário pago a profissionais de outros países e têm diversas restrições em relação à viagens e presença de familiares no país.