Ciro x Gleisi x Genro: Twitter vira palco de tretas na esquerda.

SÃO PAULO – Que a esquerda brasileira vem se matando, todos sabemos. Após a prisão de Lula e

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Venezuela
 11 de janeiro de 2019 | 16h45
Por Renan Santos

SÃO PAULO – Que a esquerda brasileira vem se matando, todos sabemos. Após a prisão de Lula e a derrota de Haddad, abriu-se espaço para o questionamento do PT enquanto liderança natural do bloco vermelho, permitindo que os atrevidos irmãos Gomes iniciassem sua frente de batalha em busca do comando da oposição institucional. Venceram, e o bloco liderado pelo PDT na câmara dos deputados é o primeiro sintoma desta articulação.

Porém, como é sabido, o petismo não entregaria os pontos sem reação. Ladeado pelo PSOL, boicotou a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, dando o tom de uma oposição indisposta ao convívio democrático; Ciro retrucou, afirmando em entrevista ao El País que seu partido tomaria parte no cerimonial e iniciaria oposição ferrenha ao governo federal após os tão falados “100 primeiros dias”. 

Foi a senha para o contragolpe de Gleisi. Em seu Twitter, a petista afirmou:

Percebam: Gleisi comporta-se como “anfitriã” da oposição e passa as regras de conduta ao novato recém ingresso. Critica o divisionismo gerado por Ciro – tônica dos Ferreira Gomes desde o “Lula tá preso, Babaca!” -, e questiona esse “tempo de maturação” de 100 dias proposto pelo pedetista.

Disposta a amealhar legitimidade em meio à extrema-esquerda, a presidente do PT viajou, então, à Venezuela de Maduro para prestigiar sua posse. Busca, assim, posicionar o PT como representante oficial da extrema-esquerda brasileira, em viagem quase que diplomática ao parceiro ditatorial. No universo paralelo onde Lula governa em Curitiba, Gleisi faz papel de chanceler. A estratégia, porém, não parece agradar a todos.

Disposta a desenhar caminho alternativo para o PSOL, Luciana Genro criticou a ida de Gleisi ao inferno de Maduro. Em seu twitter, deixou claro:

Qualificando o PT como “esquerda mofada”, Genro analisa que a ação de Gleisi apenas auxilia aqueles que querem liquidar a esquerda. Não está de todo errada. De fato, aplaudir tirano que assassina opositores permite à direita uma confortável vantagem moral no debate público. Mas não é isso que interessa Luciana: seu objetivo,  agora que o PSOL vitaminou sua bancada na Câmara, é posicionar o partido de forma mais independente na legislatura que se abre. A sombra do PT, na última década, cobrou-lhe um preço. Um caminho próprio faz-se fundamental.

A briga entre as duas denota aquilo que falávamos em nossas redes: não há chance alguma do PT apoiar Freixo para a presidência da Câmara. A narrativa, conforme demonstrado, era apenas instrumento retórico para facilitar o apoio de setores do PSL ao atual presidente da casa, Rodrigo Maia.

Em vídeo recente, demonstrei que as brigas internas na esquerda são sintoma de uma reorganização interna de suas forças:

Note-se: mais do que a briga por poder, temos 3 visões de esquerda buscando impor-se no congresso e na opinião pública. Temos a extrema-esquerda bolivariana do petismo, turbinada por seus governadores reeleitos; o trabalhismo nacionalista de Ciro, que engorda e deixa a barba crescer buscando emular Lula; e o progressismo crítico do PSOL, que ousa discordar da Venezuela para fins de não chocar seus admiradores do Leblon.

As cartas estão na mesa. Aguardemos os próximos passos na peleja vermelha.