Ativista negro que pediu dinheiro para MacBook faz vídeo tentando se justificar mas só piora a situação

Como relatado aqui no News anteriormente, o youtuber e ativista negro Spartakus Santiago lançou uma vaquinha virtual

 18 de novembro de 2018 | 15h32
Por Francine Galbier

Como relatado aqui no News anteriormente, o youtuber e ativista negro Spartakus Santiago lançou uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro e consertar seu MacBook Pro. Segundo ele, precisava do Macbook caro para não “ficar atrás dos brancos”. “A gente fica sofrendo com um monte de computador lá pra poder salvar um vídeo curto enquanto o branco tem lá toda uma estrutura… a gente sempre vai ficar atrás assim”, disse o youtuber. Um Macbook Pro de 15 polegadas de 2017, modelo que aparece na nota postada por Spartakus, custa cerca de R$ 10 mil. O conserto custou cerca de R$ 3 mil, como informou Rafael Rizzo.

Após receber críticas nas redes sociais, o ativista fez um vídeo onde tenta se justificar, mas só piorou a situação. “A maioria dos ricos são brancos, isso é um fato. A maioria dos canais no youtube são de pessoas brancas que tiveram o privilégio de chegar aqui antes dos pretos porque tinham computadores, câmeras, conexão de internet”, disse Spartakus. De acordo com o youtuber, a necessidade de ter um computador caro é porque a melhor forma de lutar contra o racismo é usando “as melhores armas”, que para ele são “as melhores tecnologias do mercado”. Ele diz que não queria ficar atrás dos “brancos ricos” e nem “ficar passando raiva pra salvar um vídeo travando.”

Spartakus conta que ganhou uma bolsa pra estudar em Nova York e “sofreu muito” para comprar o melhor Macbook e o melhor iphone que existia no mercado. Tadinho. “Houve um acidente e a tela do meu Macbook quebrou”, lamentou. “Eu investi no melhor equipamento porque não queria ficar atrás de quem teve o privilégio de enriquecer com o trabalho escravo dos nossos avós”, reclama Spartakus. “Isso incomodou a branquitude”, afirma. “Tem dois tipos de brancos: os que ouvem sobre seus privilégios e se sentem engajados pra mudar isso, e os que se sentem atacados. E foi isso que aconteceu”, diz ele ao afirmar que seus vídeos foram “manipulados”. Spartakus, que já ficou viajando pela Europa na casa de amigos, ainda reclama que não consegue muitos contratos porque fala de política.

“Se eu produzo conteúdo de graça contra o racismo e a homofobia, eu tenho o direito de pedir ajuda”, finaliza. Ao tentar se justificar, o rapaz só piorou a situação: se mostrou mimado, privilegiado e vitimista. Ora, não é todo mundo que consegue sequer um iphone, quem dirá um Macbook Pro. Não é todo mundo que pode ir estudar em Nova York, uma das cidades mais caras do mundo, nem que seja com bolsa – algo nem um pouco fácil de conseguir. Também não é todo mundo que pode ir viajar para Europa e ficar passando um tempo na casa dos amigos.

Ao youtuber, um conselho: olhe para o próprio umbigo antes de apontar o dedo para os outros. Cresce, Spartakus.