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4 mentiras que “O Mecanismo” contou sobre o impeachment

Roteiro contém quase tantos erros quanto os discursos de Dilma

15/05/2019 17h49

A nova temporada da série “O Mecanismo” voltou, e dessa vez com uma narrativa totalmente desconexa da realidade do real processo de impeachment da ex-presidente Dilma em 2016. Confira alguns dos principais pontos distorcidos.

1) A primeira distorção se dá na cena em que Carlos Penha, personagem que representa Eduardo Cunha, diz que a mídia sempre esteve ‘do nosso lado’ a favor do impeachment. Talvez tenha pego leve, isso não pode ser dito uma distorção, é uma total inversão dos fatos, Eduardo Cunha foi fritado pela mídia na época do impeachment por quase todos os grandes meios de comunicação.

2) A segunda é quando a Delegada Varena, protagonista da série, diz que o governo do PT que deixou as investigações da PF seguirem livremente, quando a realidade foi bem diferente. O governo petista cortou verba da Polícia Federal durante as investigações, cerca de R$ 151 milhões, o que gerou revolta por parte da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) que, em nota, afirmava ser “grave e nítido” o desmonte da corporação.

3) Prosseguindo, temos a cena onde “Aécio Neves” e “Michel Temer” se encontram negociando o impeachment quando, na verdade, o que Aécio estava tentando fazer na realidade era a desarticulação da marcha e das manifestações, ou seja, no início não era favorável ao impeachment. O PMDB foi um dos últimos partidos a ficar a favor do impeachment nessa época.

4) Por fim e mais grave, a narrativa da série tira totalmente o protagonismo das maiores manifestações populares da história do Brasil. Quem assiste a série tem a impressão de que o processo se deu e se dá por meras reuniões de gabinete, o velho fatalismo político cuja derrubada foi uma das maiores conquistas do impeachment. No final, é uma narrativa que nada mais fortalece senão o próprio “mecanismo”.

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Diretor do movimento Neoiluminismo, coordenador nacional MBL Estudantil e coordenador SFL. Estudante de economia na UFRGS e amante das ciências da complexidade.