Os principais jornais do país – que passaram os últimos dois anos alertando e fazendo manuais sobre como as Fake News se espalham parecem ter se esquecido de tudo que “ensinaram” na reta final das eleições presidenciais.

De supostas agressões e ameaças não confirmadas até pichações em banheiros de universidades, todo tipo de boato passou a ter destaque nas principais redações do país, e a lógica de apuração é totalmente invertida: não existe nada provado, mas a imprensa repete sem parar que os autores dessa suposta onda fascista são eleitores de Jair Bolsonaro.

Em um dos casos mais discutidos, a imprensa espalhou que um capoeirista teria sido morto por um apoiador do Bolsonaro após declarar voto no PT. O caso foi explorado até por Fernando Haddad. Em entrevista, o assassino negou envolvimento político no caso e disse que a briga começou quando o capoeirista o chamou de “viadinho preto”.

Outro caso que rodou bastante a internet foi o de um aluno com boné do MST agredido na UFPR. Espalharam que seus agressores teriam gritado “Aqui é Bolsonaro”.Até portais como a Jovem Pan adotaram a versão cuja única fonte era o DCE da Universidade, dominado por militantes do PSOL que curiosamente usam o DCE para fazer campanha anti-Bolsonaro. Mais um caso explorado à exaustão por partidários do PT. O delegado que investiga o caso porém disse que a vítima não relatou motivação política. Os agressores eram todos de uma torcida organizada de futebol.

Um terceiro caso foi ainda mais chocante: a jovem que teve um símbolo nazista riscado em seu corpo por supostos eleitores do Bolsonaro em Porto Alegre. O caso é muito estranho por diversos motivos: a “suástica” desenhada está invertida, o que levou o delegado do caso falar que era um símbolo budista. Outra curiosidade e que enquanto o relato no facebook diz que a jovem estava om um adesivo “Ele não” em sua mochila, no Boletim de Ocorrência foi dito que ela usava uma camiseta com “ele não”.

A jovem só foi fazer o boletim de ocorrência um dia depois do caso, mas já desistiu da representação criminal contra seus supostos agressores.  Mesmo sem conclusão, o caso também foi explorado por opositores do presidenciável do PSL para acusar ele e seus eleitores de “violentos”.

Há também casos de pichações com destaque na imprensa de suposta autoria “direitista”, mas, como de costume, nada foi esclarecido. Uma pichação de 1992 com “morte aos nordestinos” foi espalhada como se fosse de 2018, outra pichação, de 2010, com “morte aos negros” também chegou a circular pelo whatsapp como se fosse atual, e até a Mônica Bergamo deu manchete às frases homofóbicas em um cursinho atribuídas a apoiadores do Bolsonaro. Sem provas, obviamente.

Nem o maior telejornal do país, o Jornal Nacional, passou incólume desse festival de Fake News. O Jornal admitiu que deliberadamente espalhou boatos da internet na última sexta – tudo que “os guias anti-fake news” dizem para não fazer. A excelente jornalista Mônica Waldvogel também saiu atropelando as investigações e jogou a culpa das supostas agressões no colo de Jair Bolsonaro.

A imprensa que sempre tratou bandidos e assassinos confessos como “suspeitos” e implorava para não generalizarmos terroristas inverteu a lógica toda e agora está culpando eleitores e o próprio Bolsonaro por supostos casos de violência que ainda estão sendo investigados. Fica difícil saber se estão preocupados em fazer jornalismo ainda ou se já partiram para a militância.

o/ Rafael Rizzo

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