O ex-Pink Floyd Roger Waters foi alertado pela Justiça Eleitoral do Paraná de que não poderia fazer manifestações políticas após às 22h do sábado, 27, data em que aconteceu o show do cantor britânico em Curitiba, Paraná. Mesmo assim, ele desafiou a legislação brasileira eleitoral: trinta segundos antes do horário determinado, exibiu a mensagem “Temos 30 segundos.  Essa é a nossa última chance de resistir ao fascismo antes de domingo. #EleNão”. Logo em seguida, exibiu a mensagem: “São 10:00. Obedeçam a lei”, registrou a Exame. Em resposta, o público gritou: “Fora PT”.

Justiça irá investigar turnê de Waters 

Jorge Mussi, Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, autorizou a abertura de uma ação apresentada pela campanha de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, que pede a investigação da turnê de Roger Waters. Os advogados alegam que as mensagens exibidas durante os shows são de “extrema gravidade”, “demonstram premeditação e explícito propósito de denegrir a imagem de Bolsonaro”. A intenção, de acordo com a defesa, é “causar uma forma de repulsa” nos fãs.

Militância política 

Em seu primeiro show no Brasil, que aconteceu na capital de São Paulo, Waters mostrou no telão de seu palco alguns exemplos de países que teriam líderes políticos “neofascistas”. Jair Bolsonaro aparecia, seguido do jargão esquerdista “Ele Não”. No intervalo, meninos e meninas de comunidades pobres vestiam uma roupa de prisioneiros. A ação rendeu uma vaia de mais de 5 minutos ao cantor que, sem entender o que estava acontecendo, colocou as mãos na cabeça em sinal de desespero.

O segundo show, também em São Paulo, foi marcado de vitimismo de Waters. Ele exibiu no telão uma tarja sobre o nome de Jair com o escrito: “ponto de vista político censurado”. Na apresentação que ocorreu em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, apoiadores de Bolsonaro inflaram um pixuleco próximo ao local como forma de protesto. O show no Rio de Janeiro foi marcado por homenagens a Marielle Franco, vereadora do PSOL que foi assassinada em 14 de março.

Neste sábado, 27, aconteceu no Estádio Couto Pereira o penúltimo show de Waters em Curitiba, na capital Paranaense onde o ex-presidente Lula se encontra preso desde abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Aproveitando sua passagem na cidade, o cantor entrou com um pedido na Justiça para conseguir conhecer o criminoso petista. Os advogados contratados por Waters alegavam que Lula é uma “personalidade de reputação mundial na defesa dos direitos humanos”. O cantor também solicitava a presença de um tradutor, pois não fala português e Lula não domina o inglês, conforme divulgou a coluna de Mônica Bérgamo. O pedido foi negado.

A última apresentação da turnê será no dia 30, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Francine Galbier
@francinegalbier
Atriz, estudante de Direito, repórter e editora-chefe do MBL News.