‘’Quem está portando uma arma de guerra certamente não está disposto a conversar ou negociar com as forças policiais’’

Wilson José Witzel teve uma carreira de sucesso na Justiça Federal por 17 anos, passando pela Marinha, Previ-Rio e a Defensoria Pública e sendo professor e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e do Espirito Santo.

Paulista de Jundiaí, interior da capital, adotou o Rio de Janeiro há 31 anos, iniciou uma sucinta campanha que o colocava em sexto lugar há duas semanas das eleições e o transformou em segundo colocado na última pesquisa Datafolha, empatando com o ex-jogador Romário (PODEMOS), e em terceiro no Ibope na reta final.

Witzel conquistou o governo do Rio de Janeiro tendo a segurança pública e o combate à corrupção como bastiões de seu futuro mandato. Nesta semana, falou com exclusividade ao MBL News sobre seus planos para o Estado.

A segurança pública foi a pauta mais defendida pelo senhor nessas eleições. E não poderia ser diferente uma vez que o Rio de Janeiro passa por uma gravíssima crise, sendo necessária uma intervenção federal no Estado. Qual o seu balanço sobre a intervenção federal até o momento?

R: A intervenção federal no Rio de Janeiro apresenta resultados positivos e o legado que vai deixar, com equipamentos e veículos, além de todo o conhecimento, será muito importante para todo o Estado do Rio. Estamos preparando um requerimento para que seja mantido o regime de Garantia da Lei e Ordem (GLO) e este será encaminhado para o Gabinete de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para que seja avaliada a viabilidade.

Governador, como o senhor pretende reforçar a presença do Estado nas áreas controladas pelo tráfico de drogas e milícias?

R: A urbanização das comunidades, a investigação constante e combate aos chefões do tráfico e da milícia, além de um programa para retirada de jovens de situação de risco, são algumas das principais medidas. Além disso, a investigação de atividades de lavagem de dinheiro – que hoje financiam o crime e seus executivos, e é realizada pelo Polícia Civil será potencializada com investimento em infraestrutura. E a Polícia Militar terá treinamento e respaldo para fazer policiamento ostensivo e operações precisas e bem planejadas para combater os bandidos que fazem a população refém.

Recentemente, a imprensa noticiou que o senhor iria para Israel comprar um modelo de drone equipado com armas. Como e em quais áreas o equipamento será utilizado? E quando eles serão comprados? A viagem já tem data marcada? O senador Flávio Bolsonaro irá junto?

R: A viagem irá ocorrer em dezembro. Vamos conhecer diferentes tecnologias, não um equipamento específico. Todas as ações estarão contempladas no Planejamento Estratégico de Segurança.

Quanto as declarações de que policiais poderão abater bandidos, qual será o auxílio jurídico que o policial receberá caso realize o abate? E caso o policial seja condenado em última instância pela ação, qual será o papel do Governo Estadual?

R: No nosso governo, iremos valorizar o bom policial, dar condições para que realize o seu trabalho com infraestrutura adequada e segurança, com seus direitos resguardados. De acordo com o artigo 25 do Código Penal, o policial estaria agindo em legítima defesa (de si próprio) e da sociedade para repelir uma agressão iminente. Quem está portando uma arma de guerra certamente não está disposto a conversar ou negociar com as forças policiais. Prefiro defender um policial no tribunal a ir ao funeral dele.

O senhor declarou que caso precisasse colocaria navios presídios em alto mar. Essa é uma medida que já foi proposta antes no estado, porém abandonada devido aos altos custos de execução. Já existe orçamento e planejamento nesse sentido? Quanto a medida custaria aos cofres públicos?

R: Neste momento, estamos analisando todas as possibilidades de melhorias para o sistema penitenciário. As ações para a área serão analisadas durante a transição. Atualmente, os presídios do Rio de Janeiro são verdadeiros quartéis do crime organizado, de onde se administra o tráfico de drogas e armas, além das quadrilhas de roubo de cargas e assaltos. Nossas ações serão fundamentadas em estratégias de combate ao crime, como forma de melhorar a qualidade do serviço penitenciário, trazer maior dignidade ao preso, reduzir custos e facilitar a obtenção de informações pela inteligência.

Quais serão as medidas para acabar com o crime organizado no Rio?

R: Uma outra ação que estará no Planejamento Estratégico de Segurança será a adequação no modelo das UPPs, passando a estar subordinadas aos chamados Distritos Policiais. Os Distritos serão as células-base de organização das polícias, geridas pelo Delegado de Polícia e pelo Chefe do Batalhão da Polícia Militar de cada região, criando verdadeira sinergia entre as duas polícias, que passarão a trabalhar juntas.

Qual é a situação fiscal do governo do Rio de Janeiro e como você pretende sanar o déficit estadual?

R: Para solucionar a questão do déficit fiscal iremos atuar com ações fundamentadas em três frentes. Em um primeiro momento, avaliar a prorrogação da Lei de Recuperação Fiscal, que tem dado algum fôlego ao Estado; reduzir os gastos; e aumentar as receitas. Entre os pontos de atenção para o desenvolvimento econômico está a abertura para investimentos ao capital estrangeiro, sendo uma alternativa para a criação de empregos. Além disso, se faz necessária a desburocratização do processo de abertura de empresas.

Cauê Del Valle
@cauedelvalle
24, paulistano, publicitário em formação pela Anhembi Morumbi, coordenador nacional do MBL e repórter do MBL News.