O advogado Miguel Nagib iniciou sua cruzada pessoal contra a doutrinação ideológica nas salas de aulas de todo o país após ser testemunha de um episódio vivido por sua filha em setembro de 2003, quando ela chegou da escola contando que seu professor havia comparado Che Guevara a São Francisco de Assis.

Em 2014, após diversas tentativas de expor o que sua filha e os demais alunos do colégio em que ela estudava passavam diariamente, ele decidiu fundar o Movimento Escola Sem Partido.

Nesses quatro anos de existência o projeto já tomou proporção nacional, tendo sido inclusive apoiado por figuras de destaque como vereador de São Paulo, Fernando Holiday (DEM/MBL), o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) e o senador Magno Malta (PR). Por outro lado, também angariou inimizades como a do Secretário Municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, contrário ao projeto.

Além dele, outro importante nome da educação contrário a criação do projeto é o educador Mozart Ramos, que já classificou a lei do ESP como ”desnecessária”, e, por mais estranho que seja, Mozart foi citado como suposto cotado para assumir o ministério da Educação do governo Bolsonaro.  A ONU também se posicionou contra o projeto, alegando que a educação brasileira poderia ser censurada com a sua aprovação em comunicado divulgado em 2017.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Nagib concedeu ao MBL News:

Miguel, qual o impacto do projeto Escola sem Partido na sociedade como um todo e quais os efeitos dele a curto, médio e longo prazo em sua opinião?

“O objetivo do ESP é colocar a educação nos trilhos da Constituição. Impedir que o sistema educacional seja usado para fins de propaganda ideológica, política e partidária; e assegurar que o direito dos pais sobre a educação religiosa e moral dos seus filhos seja respeitado. Se isso for feito, o impacto será gigantesco.

A curto prazo, teremos a resistência feroz dos grupos que há 30 anos estão usando o sistema de ensino em seu próprio benefício. Esses grupos — principalmente o PT, o PSOL, o PCdoB ‒  tudo farão para não perder a galinha dos ovos de ouro do sistema educacional.

A médio prazo, o principal desafio, penso eu, será aprofundar o conhecimento sobre os limites éticos e jurídicos da atividade docente. Para isso, seria muito importante a criação de uma disciplina obrigatória de ética do magistério nos cursos de formação de professores — o que por incrível que pareça não existe.

A longo prazo, acredito que as escolas, as universidades e, sobretudo, os professores irão reencontrar a sua verdadeira missão, que é a transmissão e produção de conhecimento, e repelir de forma veemente qualquer tentativa de encabrestamento ideológico, político e partidário.’’

Recentemente foi divulgado que o educador Mozart Ramos estaria sendo cotado para assumir o ministério da Educação do governo Bolsonaro, e em outra oportunidade ele declarou que a lei do projeto Escola sem Partido seria desnecessária. O que você acha dessa declaração?

‘’Acho que ela coloca o Sr. Mozart Ramos em aberta oposição ao pensamento daquele que poderia nomeá-lo ministro da educação. Em mais de uma oportunidade, o Presidente eleito Jair Bolsonaro manifestou seu apoio ao projeto Escola sem Partido. Quem afirma que o projeto é desnecessário ou não sabe o que está acontecendo dentro das escolas e universidades ‒ uma ignorância absolutamente indesculpável nos dias de hoje ‒ , ou sabe e pretende atuar conscientemente no sentido de manter essa situação.’’

O que você espera do futuro ministro da Educação quanto ao combate da doutrinação ideológica em sala de aula?

‘’Que ele seja um apoiador da proposta do movimento Escola sem Partido.’’

As audiências públicas do ESP vêm sendo alvos de ataques violentos por militantes e até mesmo políticos de extrema-esquerda, como foi o caso recente do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), que agrediu e deslocou o braço de uma senhora favorável ao projeto. Em sua opinião, qual o motivo da esquerda reagir de forma tão violenta ao risco de aprovação do projeto?

‘’Medo de perder a hegemonia conquistada nas escolas e universidades ao longo dos últimos 30 anos.’’

***

O Escola Sem Partido já vigora em algumas das mais importantes cidades do país como Campo Grande (MS) e Jundiaí (SP), além de Pedreira (SP), Santa Cruz do Monte Castelo (PR) e Picuí (PB).

Cauê Del Valle
@cauedelvalle
24, paulistano, publicitário em formação pela Anhembi Morumbi, coordenador nacional do MBL e repórter do MBL News.