Em entrevista exclusiva ao MBL News, o governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), falou sobre privatizações, a renovação que ocorreu nas eleições de 2018, as finanças do estado de Minas Gerais e a sua relação com o partido NOVO após uma polêmica na reta final da eleição em primeiro turno.

Sobre privatizações, Zema acredita que as estatais perderam valor de mercado por conta da má gestão petista, e que caso aconteça uma privatização de estatais, como a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), seria necessário uma mudança na Constituição mineira.

Enxugamento da máquina estatal e a renegociação da dívida do estado são outras medidas que Zema pretende implementar. Para a renegociação da dívida, o futuro governador mineiro pretende contar com a ajuda do presidente eleito Jair Bolsonaro, além de contar com uma reforma previdenciária e tributária para colocar o país nos trilhos do desenvolvimento.

Ele avalia positivamente o resultado das eleições de 2018, principalmente com o desejo de renovação que as pessoas expuseram nas urnas. “As pessoas estão cansadas do modelo de auxílio estatal”, cravou o governador eleito.

Sobre a polêmica que ocorreu entre ele e seu partido durante as eleições, Zema esclareceu que sua relação com o Novo é a melhor possível e o problema parece ter ficado no passado. Na ocasião, o então candidato ao governo pediu que os eleitores de Amoêdo e Bolsonaro votassem nele – o que fez com que o partido o repreendesse publicamente.

Você pode conferir a entrevista na íntegra a seguir:

[Renato Battista] Quais estatais o senhor pretende privatizar? Quais serão as primeiras?

[Romeu Zema] Num primeiro momento, não será a hora de privatizarmos. As empresas públicas mineiras, por conta da má gestão que vem há anos, perderam valor de mercado. Privatizá-las, da forma como estão hoje, não resolveria em nada os problemas dos cofres públicos de Minas. Atualmente, só de déficit na relação entre receitas e despesas correntes líquidas, Minas perde por ano o valor de uma CEMIG. Por isso, teremos de saneá-las para que sejam valorizadas como devem. Além disso, para eventualmente privatizar CEMIG e Copasa, por exemplo, precisaremos alterar a Constituição Mineira.

[Renato Battista] Em qual situação o senhor está encontrando as finanças do Estado? Como resolver este problema?

[Romeu Zema] Nossa equipe de transição está trabalhando para traçar um diagnóstico real da condição financeira do Estado. Sabemos que a situação é crítica e não será fácil conseguir o equilíbrio das contas públicas. Para isso, vamos renegociar a dívida de Minas com a União e, prioritariamente, enxugar a máquina pública, dentro das metas fiscais. Começaremos com a redução do número de secretarias e o corte de cargos comissionados. Entre outras coisas, vamos simplificar a burocracia para voltarmos a atrair empresas, sobretudo aquelas com maior nível de valor agregado. Por diretriz partidária, o NOVO é totalmente contra a ampliação da já pesada carga tributária. Dessa forma, vamos trabalhar para que novos negócios sejam gerados no Estado, com o incremento da receita pública a partir do girar da roda da economia em velocidade bem mais alta do que a atual. Mas, ao final do diagnóstico que estamos fazendo, é que teremos clareza de quais medidas serão tomadas primordialmente. Hoje, o que temos é que o déficit oficial é de R$ 11,4 bilhões, cifra que está contido na peça orçamentária estadual para 2019. Esse dado, no entanto, contempla somente a diferença entre receitas e despesas correntes para o próximo exercício anual. Nesse dado, que apuraremos melhor agora durante o trabalho da comissão de transição, não está inserido, por exemplo, restos a pagar bilionários de anos anteriores da atual gestão petista. Também não compreende o sequestro das penhoras judiciais, as transferências constitucionais para os municípios que não têm sido feitas devidamente e dívidas com prestadores de serviços na Saúde, no modelo tripartido, União, Estado e municípios, além de organizações sociais prestadores de serviços cobertos pelo SUS. Então, esse montante deverá atingir algo em torno de R$ 30 bilhões, estimamos. Mas, como disse, esses dados serão apurados durante a transição até para sabermos o rombo que iremos pegar no dia primeiro de janeiro de 2019.

[Renato Battista] Qual avaliação o senhor fez destas eleições, principalmente sobre o avanço de uma direita mais liberal?

[Romeu Zema] Na minha opinião, o resultado destas eleições mostrou que a população buscava mudanças, não só aqui em Minas, mas em todo o país. Se os políticos de sempre não fizeram uma reforma política de verdade, os eleitores a fizeram na urna agora em outubro! Os brasileiros não estão satisfeitos com a realidade que está aí, fruto de mais de uma década de administração da esquerda na ideologia, mas fã de mordomias, luxos e até ostentações que só o capitalismo produz. A visão liberal vem ganhando força, pois leva as pessoas a terem esperança de ver alguma melhora acontecendo no Brasil. As pessoas estão cansadas do modelo de auxílio estatal. A população quer ter emprego e renda para poder ascender com o seu próprio esforço e trabalho. O caminho da biblioteca é igual para todo mundo!

[Renato Battista] O que o senhor espera do governo do Presidente eleito Jair Bolsonaro?

[Romeu Zema] Acredito que o presidente Bolsonaro tomará as medidas austeras que se fazem tão necessárias no Brasil atualmente. No que diz respeito a Minas, espero contar com todo o seu apoio, não apenas na renegociação da dívida do Estado com a União, mas também em relação às medidas que teremos de implementar no Estado, mas que dependem do aval de Brasília. Como as reformas da previdência e tributária.

[Renato Battista] O Partido Novo te criticou por conta do seu apoio a Bolsonaro. Como você recebeu esse posicionamento e como está a sua relação com o Novo agora?

[Romeu Zema] Minha relação com meu partido, o NOVO, é a melhor possível. Uma demonstração disso foi o número expressivo de voluntários para trabalhar com a gente neste período de transição – mais de 2.400 – sendo que quase 20% são filiados ao NOVO. O que ocorreu, durante o debate no primeiro turno na TV Globo, é que me expressei, dizendo que quem votava no Amôedo ou no Bolsonaro era Zema em Minas. Tanto é que diversos candidatos do PSL, partido do presidente eleito, colocaram em seus materiais de divulgação eleitoral a minha foto como candidato ao governo estadual, já que a sigla não tinha candidatura ao Executivo estadual mineiro.

Foto: Luis Ivo

Foto: Luis Ivo

 

Renato Battista
@renatobattistambl
23 anos, formado em Relações Internacionais pela ESPM e pós-graduando em ciência política pela FESPSP. Repórter e colunista às sextas, escreve sobre política internacional.