Quando, naquela tarde de domingo, o jovem filmmaker Alexandre Santos caiu em prantos após mais uma vitória eleitoral do PT, pouco podia-se imaginar das consequências que seus atos seguintes poderiam ter na história do país. Tomado por raiva, medo e angústia, o rapaz e seu irmão Renan criaram um evento no Facebook convocando um ato contra a reeleição da petista Dilma Rousseff; em poucos minutos o chamamento explodiu de confirmações, e a ação impulsiva converteu-se na primeira das diversas manifestações que culminaram na queda da presidente da República.

O agrupamento de pessoas que junto a eles se reuniu para este intento – o youtuber Kim Kataguiri, o músico Pedro Deyrot, o designer Fred Rhaul, o estudante Fernando Holiday, o advogado Rubens Nunes e o social media Rafael Rizzo – deram início ao icônico e polêmico Movimento Brasil Livre, estranho predador que passou a habitar a fauna política do nosso país.

Dadas as características exótica de seus fundadores, o MBL, como ficou conhecido, utilizou-se sempre de fórmulas inventivas e provocadoras para alcançar seus objetivos políticos. Ainda que profundamente marcado pelas grandes aglomerações públicas em avenidas e praças, o grupo destacou-se pela forma como que construía até seus pequenos atos – das heroicas marchas a pé até o uso de figuras pop e memes de internet para rechear suas ações -, como foi o caso da Carreta Furacão dançando para milhares de pessoas em comemoração à queda de Dilma Rousseff.

Ainda que deveras heterodoxo em sua práxis, o agrupamento nunca desviou-se de seus princípios liberais, republicanos e legalistas; foi, ao longo desses 4 anos, porto seguro para os brasileiros de bem que quisesse defender as grandes reformas ocorridas durante o os últimos anos, a luta pelos aplicativos de transporte e o incansável combate à corrupção em todas as instâncias do poder. Até por isso, espraiou-se por todo território nacional em células estaduais e municipais, que executam um importante trabalho de formação política e fiscalização.

Nada disso impediu o grupo de envolver-se em polêmicas diversas. Odiado por setores da imprensa, tornou-se a “Geni” do jornalismo político, ávido por encontrar um inimigo em que lançassem suas pragas e exortações. Tentaram converter o MBL em censor de artistas, durante o caso Queermuseum; a classe se manifestou e tornou-se motivo de chacota em toda a internet. Meses depois, derrotados, partiram para outra investida: o MBL passaria a ser, então, “produtor de notícias falsas”, e deveria ser expurgado das redes sociais. De nada adiantou – o agrupamento permaneceu crescendo e angariou ainda mais audiência e seguidores.

São 4 anos intensos que legaram muito a uma democracia em construção. O MBL foi o principal condutor do processo de impeachment contra Dilma Rousseff; instrumento fundamental na divulgação de ideias liberais, outrora marginais no imaginário político; ponta de lança na divulgação das reformas econômicas; força motriz da polarização com a esquerda pós-moderna; propulsor de projetos como o escola sem partido e o performance bond, aprovados em diversos municípios; instrumento de fiscalização parlamentar; amigo de operações anti-corrupção; contraponto efetivo e necessário à velha imprensa brasileira. É muita coisa para um grupo que contou com a desconfiança de boa parte da direita – tanto dos liberais quanto dos conservadores – durante boa parte de todo esse processo.

E faz sentido: o MBL sempre foi altivo, dono do seu próprio nariz e do seu destino. Prefere a liberdade de tomar as decisões entre seus pares do que a obrigação de se sujeitar ao projeto político de outrem. Constrói seu caminho em consonância com seus valores, estilo, estética e linguagem. E cresce, sempre! – em especial, quando a adversidade lhe bate à porta. Os investimentos na área de filmagem dão seus primeiros frutos: o canal de youtube do movimento é um dos que mais crescem no país, e o documentário do impeachment, dirigido por Alexandre e Fred, está prestes a sair do forno. As inscrições para o MBL Estudantil, nova frente de ação do grupo, batem a casa de 5000 instituições de ensino, o que promete fazer tremer a estrutura de doutrinação da esquerda no país. O futuro soa alvissareiro.

Que venham os próximos 4 anos! As lutas não serão poucas e os desafios não serão fáceis. Mas não há nada a temer. Conforme diz o lema do movimento, basta contar com o MBL; sempre que precisar, estaremos lá!

Renan Santos
@@RenanSantosMBL
Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre. Colunista às terças, e editor-chefe do MBL News.