O que esperar do ano do porco?

Não, não, você não entrou na coluna errada, este não será um texto sobre horóscopo chinês e

 7 de janeiro de 2019 | 13h33
Por Rafael Minatogawa

Não, não, você não entrou na coluna errada, este não será um texto sobre horóscopo chinês e astrologia, ou até mesmo um texto de cunho esportivo que tratará do futuro do palmeiras. A coluna seguirá com sua série acerca das reformas institucionais necessárias para o Brasil nas próximas semanas, hoje faremos uma pequena pausa para falar das perspectivas da economia brasileira para o novo ano que se inicia, e o título é apenas uma alusão ao animal do horóscopo chinês de 2019.

Como todos temos acompanhado, o que irá pautar o início do governo Bolsonaro no âmbito da economia no primeiro semestre deste governo será a reforma da previdência. Pretendo me aprofundar mais em uma futura coluna acerca do tema, entretanto não seria possível falarmos sobre as perspectivas econômicas sem tocar nesse assunto.

Bolsonaro e Paulo Guedes têm pela frente a difícil missão de reformar o sistema previdenciário brasileiro, o que já seria uma tarefa complicada por si só, mas que no caso do futuro presidente assumiu o papel de “termômetro” do que será o seu governo. Caso consiga, dará uma forte demonstração de força política e um passo importante rumo ao equilíbrio das contas públicas, o que será peça fundamental para um cenário de crescimento em 2019.

Passada a questão da previdência, 2019 tem tudo para ser um bom ano para a economia brasileira. O atual cenário mostra um terreno já preparado, com juros baixos, – para a realidade brasileira – inflação baixa e altos índices de capacidade ociosa por parte das nossas indústrias, o que significa que uma retomada mais acelerada da atividade econômica não pressionaria a inflação por parte da oferta. As contas externas brasileiras se mostram equilibradas e temos uma boa reserva de dólares para nos resguardar de possíveis ataques especulativos. Isso tudo somado ao investimento externo que deve entrar no país com a aprovação da reforma previdenciária, teremos um crescimento na ordem de 3% do PIB em 2019, conforme alguns especialistas vêm apontando.

Os mais críticos poderão apontar que muitos dos fatores colocados no parágrafo anterior já estavam presentes nesse ano que passou e ainda assim tivemos um pífio crescimento de 1,3%. De fato, mas estes não colocam na balança as consequências geradas por três fatores que tiveram grande influência na atividade econômica do país, sendo estas a greve dos caminhoneiros, a incerteza da eleição que rondou o país até o último trimestre do ano e a não aprovação da reforma da previdência. O primeiro fator gerou um prejuízo real de estagnação de setores importantes da economia, enquanto a somatória dos dois últimos criou um sentimento de incerteza que atravancou o investimento produtivo no país.

Todas essas questões parecem superadas, e o novo presidente terá consigo o respaldo de 58 milhões de eleitores para tornar essas previsões realidades. Historicamente as crises brasileiras sempre foram seguidas por ciclos virtuosos na economia, faço votos para que 2019 seja o início de mais um desses ciclos.