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Líder nacional do Movimento Brasil Livre e vereador na cidade de São Paulo.
Paulo Freire, doutrinação e o fantasma do Construtivismo

Como Freire e o construtivismo influenciam a sala de aula atualmente

06/06/2019 01h16

Nessa estreia de Blog, fiquei encucado (ainda usam esse termo?) com qual tema abriria as minhas publicações escritas para que pudesse contribuir com debates mais qualificados entre os meus leitores (ui, que poderoso… “meus leitores”). Na divagação veio o tema da minha formação: educação, na epifania veio um dos assuntos do momento: política e polarização. O resultado desse cálculo não foi outro se não: Paulo Freire.

O nome é conhecido e – tenho que dizer… – odiado pela direita (e não me venha com papinho de que “‘ain’ só a esquerda tem ódio”). Contudo, pouco se fala sobre o que acreditou e quais mudanças propôs no sistema de educação brasileiro. Não precisa parar de ler por aqui porque não vou escrever um artigo cientifico e nem ficar tratando de cada uma das teses do pedagogo, mas é no mínimo decente que se procure saber o básico das ideias de quem está se combatendo.

Freire esteve presente nos primórdios da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e, por conta dessa profunda ligação, foi escolhido como Secretário municipal de Educação de São Paulo na gestão da então petista Luiza Erundina (1989-1992). Sua obra mais famosa é a “Pedagogia do Oprimido”, um dos livros mais citados em artigos acadêmicos pelo mundo, além de constar publicado em diversos idiomas pelo planeta. E é justamente aí que se encontra a chave para o seu pensamento que encanta educadores por todo o globo.

O autor acredita que existem apenas duas classes possíveis: a dos oprimidos e dos opressores. Sendo que, na segunda, residiria o problema da educação considerando que essa classe dominante divide os oprimidos a fim de exercer seu poder sobre eles com grande sucesso, ao mesmo tempo em que lhe oferece uma educação tecnicista, alienante e esvaziada de sentido, impedindo que seus reféns consigam alcançar qualquer esperança de libertação. A obra de Freire, portanto, se focará em buscar mecanismos de derrotar essa dominância e encontrar os caminhos para uma educação que faça sentido aos chamados “oprimidos” e que possa libertá-los desse jugo.

De forma grosseira, esse seria o resumo da teoria. E se o caro leitor não ficou desatento ao texto até aqui, talvez já tenha percebido uma certa incoerência na tese do pedagogo petista: na mesma obra em que ele acusa os chamados “opressores” de dividir a sociedade, ele mesmo pratica a tal divisão. Não quero ser leviano, mas, possivelmente, temos aqui a raiz de um discurso que conduziria o petismo ao poder… Eis o famoso “nós contra eles”. Lula seria, por consequência, a vitória dos “oprimidos” sobre os “opressores”.

Como o leitor pode perceber, aqui há uma forte relação entre a pedagogia de Freire e o Marxismo. E as analogias com outras teses não acabam por aí. Isso porque o autor tem uma relação muito próxima com as chamadas teses ‘construtivistas’ que variam muito, a ponto de me impossibilitar listá-las aqui, mas que, em comum, partilham da ideia de que o conhecimento deve ser atingindo por meio de um processo de construção mediado pelo professor, levando em consideração a individualidade e o modo de aprender de cada um.

Para ilustrar relativamente bem, cito aqui dois autores (esse é o momento em que você volta a prestar atenção na leitura) que são os mais relevantes nesse aspecto ao meu ver: o primeiro deles é Jean Piaget, cujo principal diferencial está na categorização dos estágios de desenvolvimento da criança e como, através desses estágios, se dá o processo de construção do conhecimento. É a chamada Teoria Cognitiva. Segundo essa teoria, ao longo dessas etapas a criança desenvolve determinadas capacidades que podem e devem ser estimuladas pela escola e pela família a fim de contribuir no desenvolvimento cognitivo do aluno. De outro lado, apresento Lev Vygotsky, também influenciado pelas ideias marxistas, mas que criou um conceito muito interessante sobre o processo de aprendizagem chamado de ‘Zona de Desenvolvimento Proximal’ que seria o espaço entre o que a criança é capaz de aprender e realizar sozinha, e o que – para aprender e realizar- necessitaria da ajuda de um adulto.

Jean Piaget, suiço (1896-1980) à esquerda e Lev Vygotsky, soviético (1896-1934) à direita.

Os dois autores construtivistas que o leitor acabou de conhecer (ou não) romperam com os conceitos tradicionais de sala de aula e defendiam uma linha interacionista no processo de ensino-aprendizagem. Esses conceitos do início do século XX são absorvidos por Freire e, significativamente, transformados por pedagogos modernos que acreditam que a capacidade de aprendizado está absolutamente contida na mente do aluno e que a ‘construção’ do conhecimento se daria de forma completamente autônoma, uma aberração que já era rechaçada por Piaget e que tomou conta de algumas salas de aula no século XXI.

Contudo, houve uma inovação de Paulo Freire às ideias construtivistas que transformaria o conceito de educação no Brasil de maneira assustadora, eu diria. (Prometo que já vai acabar). É a ideia de que a escola e a sala de aula tem uma agenda política a ser cumprida sob a bandeira da “conscientização”. O autor teorizou que a escola como conhecemos hoje é resultado de uma agenda política, logo, muitos pressupõem, que a maneira de combatê-la seria com outra agenda política: ‘a agenda da libertação’.

Aqui se encontra, ao meu ver, (agora encerro mesmo!) a justificativa para alguns professores que insistem em extrapolar a liberdade de cátedra e utilizar da atenção cativa de seus alunos para lhes incutirem determinados ideais. Tudo está sob o manto da “libertação do oprimido” teorizada por Paulo Freire. Como rebater isso? No próximo capítulo, fique ligado na telinha! [voz do locutor da “Sessão da Tarde”].