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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Bruno Covas compara paulistano a adolescente enquanto continua burocratizando patinete; prefeito erra o tom e ruma ao ocaso

Desrespeito ao povo de São Paulo passou dos limites.

03/06/2019 16h20

O prefeito Bruno Covas parece disposto a enterrar o pouco que resta de sua credibilidade enquanto alcaide da maior metrópole do país. Após dar uma guinada à esquerda, cobiçando os votos do PT, Bruno acena para o século XIX com mais uma regulamentação arcaica, desta vez sabotando os patinetes.

A polêmica ganhou corpo quando o prefeito resolveu apreender os pequenos veículos na última semana, em ação de alto impacto sobre sua popularidade. Acuado, tentou se defender em suas redes sociais, e tornou o que já era ruim em algo ainda pior. Veja a publicação do prefeito em seu instagram:

Editorial do Jornal o Estado de São Paulo trata da regulamentação das patinetes. Governar é como cuidar do filho adolescente. Temos que fazer o que é bom para ele, não o que ele pede. Ele vai reclamar, mas um dia vai entender e reconhecer.

É mole? Em uma tacada só o prefeito de São Paulo comparou seus governados a uma espécie muito específica de adolescentes — o mimado — e colocou-se como o “adulto na sala”, disposto a fazer o “sacrifício necessário” para botar ordem na casa. A declaração diz muito sobre uma perspectiva política dirigista e autoritária, que encara o cidadão como um idiota a ser tutelado por um estado que “sabe bem o que está fazendo”.

Nossa Senhora dos Prints não perdoa.

Nesse ponto, essencial para a compreensão de sua mentalidade, Bruno realmente se aproxima da esquerda que tanto almeja; afasta-se de vez do eleitorado e — por que não? — da perspectiva liberal que elegeu a chapa Dória/Covas em 2016. Se é de seu interesse eleitoral, não sei. Mas não é do interesse da população, que foi desrespeitada tanto em sua liberdade quanto em sua dignidade pela declaração do prefeito.

A comparação com um adolescente mimado e incapaz, justificativa para sua tutela, esquece-se que a própria alternativa de transportes leves, simbolizada pelo patinete, é uma resposta madura da sociedade civil ao caos do transporte urbano estatal simbolizado pelas máfias das empresas de ônibus.

Não nos esqueçamos do Uber, que surgiu como alternativa barata e eficaz à despeito de toda sabotagem orquestrada por João Dória e seu PSDB no começo do ano passado. Que fique claro: quem atrapalha e precisa de tutela são os políticos e suas decisões idiotas, não a população.

O cidadão de São Paulo merece uma retratação de seu prefeito. Merece também, acima de tudo, liberdade para ir e vir numa metrópole marcada pelo caos no sistema de transportes. Uma capital dominada por máfias ligadas à facções criminosas, que fala em “gestão” e “jardins suspensos” enquanto sabota iniciativas adultas e emancipadas de uma população cansada de esperar.

Bruno gosta de viajar pelo mundo. Nada contra. Imagino que, em suas andanças pela Europa, deva achar o máximo as soluções que a tecnologia e a sociedade civil são capazes de trazer para problemas triviais. Talvez poste uma selfie bem humorada no instagram sobre isso. Não tem problema. Só não encha o saco de brasileiros que tentam fazer o mesmo sob a montanha burocrática que políticos como você nos impõe a cada dia. Sua estratégia eleitoral não deve sobrepor-se ao bem comum, sob pena de emular o pior tipo de adolescente mimado: o herdeiro incapaz.