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Empreendedora, estudante e ativista na área da educação. Uma mistura de China, Brasil e Nordeste.
30 anos de tanques e mortes na Praça da Paz Celestial: o coração da China comunista

Todos nós devemos lembrar daqueles dias

04/06/2019 16h23

Tank Man/Jeff Widener

Há exatos 30 anos, o mundo se chocava com o massacre da Praça da Paz Celestial — quanta ironia, não? — que aconteceu na China comunista.

Em 4 de junho de 1989, empolgados com o colapso da União Soviética, milhares de estudantes, professores, operários e camponeses se reuniram na Praça da Paz Celestial, em Pequim, coração do poder comunista. O povo desarmado pedia por democracia e liberdade.

As manifestações já aconteciam desde meados de maio e eram lideradas principalmente por estudantes e intelectuais, que em 13 de maio, em Pequim, organizaram uma grande greve de fome. Pouco tempo depois, milhares de moradores da cidade também decidiram aderir a greve. Os protestos se estenderam durante toda semana.

Houve tentativas de conversas por parte dos manifestantes com a ditadura comunista, mas elas foram negadas.

Os estudantes ganhavam cada vez mais força popular conforme os dias se passavam. O PCC, Partido Comunista Chinês, estava dividido em relação a como responder aos manifestantes. A solução encontrada foi a supressão.

3 de junho

Sob o comando do governo, o exército da China abriu fogo contra milhares de manifestantes numa tentativa de dissolver o protesto. Mas, ao contrário do que os comunistas esperavam, a manifestação ficou muito mais intensa no dia seguinte.

A Cruz Vermelha estima que o número de feridos chegou a 10 mil, mas até hoje não se sabe o número exato de vítimas.

Segundo arquivos britânicos que foram publicados 28 anos após o acontecido, tanques de guerra passaram em cima dos corpos dos manifestantes várias vezes, até que os corpos se transformassem em uma “massa”. Ao final, eram incinerados ou jogados em esgotos.

O governo tirano chinês apreendeu líderes e ativistas contrários ao regime, expulsou a imprensa estrangeira e controlou as informações na China sobre o massacre.

No dia 5 de junho, na Praça da Paz Celestial, um jovem desarmado carregando sacolas parou em frente à uma fileira de tanques em forma de protesto. Jeff Widener, fotógrafo, registou o momento. A foto correu o mundo e simboliza até os dias de hoje o espírito daqueles que lutam contra o regime comunista chinês.

Até hoje, o governo da China tenta apagar de sua história as manifestações ocorridas em maio e junho daquele. E nas semanas que antecedem o fato, há um grande esforço governamental para apagar qualquer indício da trágica lembrança.

Todos nós devemos lembrar daqueles dias.

Meu pai é chinês. Posso perceber a tristeza nos seus olhos toda vez que ele menciona o ocorrido.